domingo, 27 de março de 2011

O meu médico diz que tenho ciática. O que quer dizer?

Quando alguém lhe diz que sofre de ciática significa que o seu nervo ciático sofre de um processo de compressão e/ou irritação. A dor causada por estes processos é chamada de dor ciática. Mais uma vez a dor ciática não é um diagnóstico mas sim um sintoma. As causas mais comuns são de origem lombar, nomeadamente, hérnia discal, estenose e espondilolistese. Todas estas situações, de forma mais ou menos directa, acabam por gerar compressão a nível da raiz do nervo, desencadeando toda a sintomatologia característica. 
Referi causas de origem lombar pois existem outros factores/causas que podem desencadear dor ciática mas que não têm na sua génese as alterações degenerativas da região lombar. Um desses exemplos é a contractura do piramidal/piriforme, músculo profundo da região glútea. O nervo ciático passa junto a este músculo na maioria dos casos e em 15% da população passa mesmo através deste dividindo-o em duas partes. Uma contractura do piramidal vai desencadear um processo irritativo no nervo e despoletar toda a sintomatologia. 
Alterações posturais, encurtamentos musculares e até quedas podem também desencadear este quadro.
A sintomatologia de uma compressão/irritação do nervo ciático caracteriza-se principalmente por dor localizada na região lombar e/ou região glútea, dor irradiada em parte ou na totalidade do trajecto do nervo ciático, formigueiro, dormência e perda de força no membro afectado.
O aumento da temperatura a nível das regiões lombares e glútea pode aliviar a sintomatologia assim como os dois exercicios de flexibilidade que apresento de seguida. 
De qualquer forma não deixe de consultar o seu Fisioterapeuta. 




Ft. Miguel Estêvão

terça-feira, 1 de março de 2011

Terapeuta! Qual a diferença entre Concussão e Contusão cerebral?

Embora existam inúmeras maneiras de definir concussão, cujo conceito é ainda controverso, apresento-vos a definição formulada pela Associação Americana de Neurologia em 1997: “Concussão Cerebral é uma alteração traumática induzida no estado mental que pode ou não envolver perda da consciência.” (Kelly e Rosenberg, 1997).

Uma Concussão Cerebral resulta de um traumatismo craniano que produz forças rotacionais bruscas e/ou pequenos impactos do cérebro, que dão origem a alterações neurológicas temporárias, tais como perda de memória, confusão, desorientação, desequilíbrio, sonolência e conversa sem sentido. Essas alterações duram alguns segundos/poucos minutos, dependendo do grau de severidade da concussão.

Existem vários graus para classificar as concussões, estando organizados da seguinte forma:

Grau 1:
É definido como uma confusão transitória, sem perda da consciência, com os seguintes sintomas possíveis: cefaleia e/ou náuseas e/ou alterações mentais ligeiras, que se resolvem em menos do que 15 minutos.

Grau 2:
É definido como uma confusão transitória, sem perda da consciência, com sintomas ou alterações do estado mental evidentes que permanecem por mais de 15 minutos.

Grau 3:
O grau três é definido como qualquer perda de consciência por qualquer período de tempo - segundos ou minutos. Usualmente é fácil de reconhecê-lo, pois o indivíduo está inconsciente.

Por outro lado uma Contusão Cerebral resulta de um traumatismo mais violento. O impacto do cérebro no crânio provoca um ferimento que pode envolver derrame sanguíneo e edema/inflamação. Imaginemos um ovo, em que a casca é o crânio, a clara o liquido cefalorraquidiano e a gema o cérebro. Se agitarmos esse ovo com violência a casca mantêm-se intacta mas a gema, apesar da clara absorver alguns impactos, sofre vários traumatismos contra a parede do ovo. Daí resulta a contusão cerebral, que pode estar associada a fractura craniana.
Os sintomas são muito mais assustadores do que numa Concussão Cerebral: inconsciência demorada, convulsões, vómitos, alterações na linguagem, para além dos sintomas característicos de uma concussão.

Desta forma e perante qualquer um destes sinais a pessoa que sofre um traumatismo craniano deve de imediato consultar um Médico a fim de obter o diagnóstico exacto da sua lesão.




Ft. Miguel Estêvão

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Lesões musculares. Quais são e o que posso fazer?

Toda a gente já teve ou acabará por ter uma lesão muscular. Mais ou menos grave, com maior ou menor tempo de incapacidade, as lesões musculares são muito frequentes. As causas de lesões musculares são muito variadas. Vamos por isso falar individualmente de cada um dos diferentes tipos de lesão muscular e apresentar as causas, sinais e sintomas de cada uma delas.
Assim sendo vamos falar de rotura, estiramento(distensão), cãibra e contractura.

Rotura Muscular
A rotura muscular surge geralmente na sequência de uma contracção forte (mudança bruscas de velocidade e/ou direcção, num salto ou num remate) ou de um traumatismo directo violento. A dor é intensa, localizada e muito incapacitante. Os indivíduos que contraem este tipo de lesão nuns casos descrevem o momento como uma picada/facada, noutros como se tivessem sentido um "estalo". Associado à rotura muscular poderemos encontrar edema, derrame(equimose) e espasmo muscular/aumento de tonus no músculo afectado. É possível ainda encontrar dor à palpação, ao alongamento e à contracção. O caso mais grave deste tipo de lesão é a rotura total. Nestes casos o músculo lesado perde toda a sua função.
O que deve e o que não deve fazer nas primeiras horas passa pela aplicação da terapêutica RICE e HARM explicadas no primeiro artigo desde blog.
Se tiver a certeza que está perante uma rotura muscular NÃO administre/tome qualquer tipo de anti-inflamatório. A resposta inflamatória é crucial no processo de reparação tecidular. Devemos controlar mas nunca inibir essa resposta.
Os exames complementares de diagnóstico indicados para esta lesão são ecografia e Ressonância Magnética.
Assim que possível consulte o seu  Fisioterapeuta ou Médico

Estiramento Muscular
Vamos agora abordar uma lesão também conhecida como distensão muscular. Esta lesão é em tudo idêntica à rotura muscular mas em proporções muito inferiores. Não existindo uma verdadeira disrupção no feixe muscular o que acontece na realidade são pequenas roturas a nível microscópico nas fibras musculares. Daí se assemelhar tanto nos sinais e sintomas a uma rotura muscular, porém numa escala bem distinta. A terapêutica a aplicar é  a mesma que aplicaria no caso de apresentar uma verdadeira rotura muscular.
Muitas vezes não é visível nos exames complementares de diagnóstico.
Assim que possível consulte o seu Fisioterapeuta ou Médico.

Cãibra
A cãibra é uma contracção involuntária, relativamente duradoura (vários segundos) e dolorosa de um músculo. Não sendo considerada lesão, esta situação geralmente surge no final de exercício físico extenuante e/ou em pessoas que apresentam condição física desadequada. No decorrer da actividade física o défice de oxigénio a nível muscular vai aumentando conduzindo desta forma ao surgimento de ácido lácteo. O excesso deste ácido dá origem a essas contracções involuntárias. Desidratação, baixos níveis de cálcio e de  potássio estão também na origem de muitas cãibras musculares.
Perante um episódio destes deve alongar o músculo afectado até a contracção involuntária desaparecer. Massagem com gelo e a consequente vasoconstrição provocada por este poderá auxiliar no retorno venoso e consequente remoção de ácido lácteo.

Contractura Muscular
Uma contractura corresponde a um encurtamento/bloqueio constante de fibras musculares num ponto/zona específica. Esta ocorre quando um músculo é obrigado a trabalhar acima das suas capacidades, quer a nível de força quer a nível de resistência. Um esforço intenso (excessivo) ou uma postura incorrecta mantida por um longo período de tempo estão entre as principais causas de uma contractura, assim como os traumatismos directos. À palpação é perceptível uma zona mais rija, um ponto mais doloroso no músculo.
A grande maioria das contracturas tratam-se com a aplicação de calor e realização de massagem especifica. No caso de situações mais crónicas estas técnicas poderão não ser suficientes. Por outro lado, se a causa da sua contractura residir numa alteração postural, os episódios dolorosos repetir-se-ão constantemente até alteração dessa postura. Por outro lado, quando a dor e a dificuldade de movimentos são muito intensas ou quando é necessário retomar rapidamente a actividade, como é comum nos desportistas profissionais,  pode-se recorrer à administração de analgésicos associados a relaxantes musculares. Esta medicação, que visa aliviar a dor e promover um relaxamento muscular, permite que o segmento corporal afectado recupere a sua mobilidade com maior rapidez.
Caso os sintomas persistam consulte sempre o seu Fisioterapeuta.



Ft. Miguel Estêvão

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cancro de mama. Poderá a Fisioterapia ajudar-me?

A Fisioterapia pode devolver-lhe qualidade de vida e funcionalidade, contribuindo para a restituição do seu bem-estar, durante e depois da doença.

 O cancro da mama é o tumor maligno mais frequente no sexo feminino. Estima-se que uma em cada dez mulheres poderá desenvolver cancro de mama ao longo da vida.
A terapêutica passa, frequentemente, pela cirurgia, Radioterapia, Quimioterapia ou Hormonoterapia. Estas terapias poderão ser utilizadas isoladamente ou de forma combinada. Há vários problemas clínicos que podem surgir secundariamente às terapias oncológicas:

·    Diminuição das amplitudes articulares
·     Diminuição da força muscular
·     Alteração do estado emocional
·    Alterações posturais
·    Alterações da sensibilidade
·    Desenvolvimento de linfedema
·    Aderências da parede torácica
·    Dor

São várias as áreas de actuação do fisioterapeuta após a cirurgia ao cancro de mama.

Reabilitação funcional
Actua na melhoria da função do membro superior do lado operado e na mobilidade da pele e das cicatrizes, assim como na prevenção e resolução de complicações secundárias à cirurgia como a perda de sensibilidade e o linfedema.

Reabilitação psicossocial
Ajuda a doente e a família a aceitar a doença e a perda da mama, a viver com os seus medos e ansiedades sobre a morte e a valorizar a aparência física e a sexualidade.

Reabilitação estética
Prepara e melhora o resultado estético na reconstrução mamária.

Reabilitação ocupacional / vocacional
Ensina a doente a ter um novo comportamento com o braço do lado operado, de forma a prevenir o aparecimento de linfedema e infecções subcutâneas.
O fisioterapeuta deve ter a preocupação de se inteirar sobre a situação profissional da doente de forma a poder aconselhá-la sobre algumas adaptações a realizar. Deve também dar a conhecer à doente os benefícios fiscais a que tem direito.


Ft. Sofia Jordão dos Santos

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Terapeuta! O meu bebé necessita de Fisioterapia?

Certamente já ouviu falar que o bebé ou filho de alguém conhecido precisou, em dada altura, de ginástica respiratória…ou cinesiterapia respiratória… Pois bem, tudo isto são designações para a chamada Fisioterapia Respiratória.

O que é a Fisioterapia Respiratória?
A Fisioterapia Respiratória em crianças, consiste num conjunto de técnicas manuais aplicadas sobre o tórax, e/ou recorrendo a jogos ou brincadeiras, dependendo da idade da criança, que facilitem a desobstrução nasal e das vias aéreas superiores e/ou inferiores (brônquios e bronquíolos) através remoção das secreções que nelas se acumulam.
O efeito destas técnicas de compressão será uma progressão das secreções até à boca, de modo a que a criança possa eliminar as secreções, deglutindo-as ou eliminando-as pela tosse.

O meu filho precisa de Fisioterapia Respiratória?
Com a chegada do tempo frio (de Outubro a Março) surgem com mais frequência as infecções respiratórias, sendo que as que afectam mais as crianças são as pneumonias, as bronquiolites e as traqueobronquites (infecções da traqueia e dos brônquios). Em todas estas patologias, a Fisioterapia Respiratória representa um papel importante na drenagem e remoção eficazes das secreções, contribuindo para uma boa função pulmonar e alívio dos sintomas de “crise respiratória”.

Quais os benefícios da Fisioterapia Respiratória?
Os benefícios da Fisioterapia Respiratória, para além de sintomáticos são também fisiológicos:
- diminuição dos sintomas da infecção respiratória (esforço respiratório, sensação de falta de ar),
- diminuição do eventual cansaço/prostração durante o dia,
- noites mais tranquilas,
- melhoria e optimização da função respiratória,
- prevenção de acumulação de secreções e complicações respiratórias  graves.

Informações úteis:
- ao deitar, coloque uma almofada por baixo do colchão da cama do seu filho, de modo a que ele fique com a cabeceira ligeiramente elevada – isto irá ajudar a diminuir a acumulação de secreções na cavidade nasal e consequentemente a sua obstrução
- mantenha o seu filho hidratado com água e/ou chás. Desta forma estará também a contribuir para uma melhor hidratação das vias aéreas, o que diminuirá a eventual tendência para o colapso (fechamento) das mesmas e facilitará o deslocamento natural das secreções para a boca.
- depois do banho, mantenha-o por mais alguns momentos na casa de banho de modo a que fique em contacto com o vapor para que as secreções fiquem mais fluidas e sejam expulsas mais facilmente.

Lembre-se que o Fisioterapeuta é o único profissional de saúde com formação e competências específicas para fazer tratamentos de Fisioterapia Respiratória.


Fisiot. Pedro Seixas
Tlm.: 96 55 22 937
e-mail: ftseixas@gmail.com

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Terapeuta! Qual a diferença entre tendão e músculo?

Carregue na imagem para melhor visualização
Muitas duvidas surgem sobre este tema. Musculo e tendão são a mesma coisa? São coisas completamente distintas? Ainda há quem junte as estes dois um terceiro conceito: ligamento. Aí sim a confusão adensa-se.
Os músculos são responsáveis pelos movimentos que o nosso corpo produz no dia-a-dia. Lavar a cara pela manhã, mastigar e até mesmo focar e acompanhar as letras deste texto que lê. 
Constituídos por tecido muscular a sua principal característica é a contractibilidade. Esta característica possibilita ao músculo diminuir o seu comprimento, aproximando assim dois pontos distintos. Vamos tomar como exemplo a flexão da articulação do cotovelo; ao "dobrar" o cotovelo o músculo bicípite encurta-se, diminuindo assim a distância entre a sua mão e o seu ombro. De forma um pouco mais específica a contracção muscular ocorre com a chegada de um impulso eléctrico, proveniente do sistema nervoso central, ao músculo. Este impulso, conduzido por um neurónio, irá desencadear um potencial de acção, (entrada de cálcio e saída de potássio da célula) produzindo assim a contracção muscular.
No entanto, para que o músculo consiga mobilizar um segmento como o antebraço necessita estar muito bem fixo ao osso. É mesmo essa a função do tendão. Este é formado essencialmente por tecido conjuntivo, sem quaisquer propriedades contrateis e a sua aparência assemelha-se a uma fita ou corda, que possibilita aos músculos inserirem-se nos ossos. Desta forma, toda a força muscular produzida resulta em movimento.
Os ligamentos são tecidos que apresentam algumas semelhanças com os tendões, são formados por tecido fibroso que circundam as articulações e estabelecem ligações entre os vários ossos. Ajudam no reforço e estabilização das articulações, permitindo movimentos somente em determinadas direcções. Como descrito, eles ajudam na estabilidade mas os principais responsáveis são os músculos. Daí a importância de ter músculos saudáveis para preservar os ligamentos e as restantes estruturas articulares.




Fisiot. Miguel Estêvão

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Terapeuta! O que é uma lombalgia?

No que concerne ao significado da palavra lombalgia o mais fácil é decompor-la em duas partes. Uma será "lombar", que como o nome indica se refere à região inferior da coluna vertebral e a outra "algia" que significa dor. Desta forma quando nos dirigimos a um profissional clínico e ele nos diz: -" O que o senhor tem é uma lombalgia", poderemos sempre retorquir: - "Muito obrigado mas isso já eu sei. Vim cá por isso mesmo, doem-me as costas."
Quero com isto dizer que o difícil de diagnosticar é a causa dessa lombalgia e é nisso que os profissionais clínicos se devem centrar. Conhecendo a causa poderemos tratar o origem da lombalgia.
Associado à grande maioria das lombalgias temos o espasmo muscular (por vezes é causa) que poderá funcionar como mecanismo de protecção, através da diminuição da mobilidade local. No entanto as causas de lombalgia podem ser variadas. Tendo no seu cerne alterações mecânicas a lombalgia surge por posturas incorrectas mantidas durante muito tempo (no trabalho), gestos repetidos, esforços exagerados, musculatura em mau estado (sedentarismo) e instabilidade vertebral. Pode ainda ter causas traumáticas ou degenerativas. No leque de causas menos frequentes temos ainda os tumores, alterações metabólicas e endócrinas e dor referida. A dor referida terá uma origem extra coluna lombar, órgãos internos por exemplo, mas que podem desencadear uma lombalgia.
Independentemente da causa e na grande generalidade das lombalgias em fase aguda com espasmo muscular associado a abordagem deve centrar-se em três pontos: -Repouso, Calor e possivelmente Relaxantes Musculares (para este ultimo ponto deverá consultar o seu médico).
É importante que consulte o seu médico ou fisioterapeuta para determinar com exactidão qual a origem da sua lombalgia. Para quem ainda não apresenta dor lombar atente na imagem que se segue e comece a proteger a sua coluna lombar.

Forma correcta para apanhar objectos do solo



Fisiot. Miguel Estêvão