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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Existem alternativas à artroplastia (prótese) da anca?

O que é a Osteoartrose?

A osteoartrose é uma doença que atinge, fundamentalmente, a cartilagem articular, que é um tecido conjuntivo elástico que se encontra nas extremidades dos ossos que se articulam entre si. A cartilagem articular é nutrida pelo líquido articular ou líquido sinovial. Este líquido articular, que é muito viscoso, contribui para lubrificar a articulação, facilitando os seus movimentos, e permitindo que nas articulações saudáveis as cartilagens deslizem umas sobre as outras sem atrito, isto é, sem desgaste. A cartilagem articular é constituída por células chamadas condrocitos, água e por substâncias proteicas produzidas por estas células e chamadas, respectivamente, proteoglicanos e fibras de colagénio.

Na osteoartrose os condrocitos vão morrendo e produzem menor quantidade de proteoglicanos e de colagénio. Em consequência disto a cartilagem articular ulcera e o osso que está por debaixo da cartilagem, chamado osso sub-condral, reage, espessando-se e dando origem a excrescências ósseas chamadas osteófitos. Os osteófitos são conhecidos entre o grande público pelo nome de "bicos de papagaio", porque alguns deles, ao raio-X, dão imagens que lembram precisamente o bico de um papagaio.

Sintomas

Os principais sintomas da osteoartrose são a dor, a rigidez, a limitação dos movimentos e, em fases mais avançadas, as deformações.

A dor tem um ritmo, isto é, um modo de ser ao longo do dia, que se convencionou chamar mecânico.

O ritmo mecânico é caracterizado pelo facto das dores se agravarem ao longo do dia, com os movimentos e com os esforços, e melhorarem quando o doente repousa, em particular quando se deita. Regra geral, os doentes com osteoartrose não têm dores durante a noite e dormem bem, embora em alguns casos muito avançados de artroses das ancas e dos joelhos, as dores possam, também surgir durante a noite. A rigidez surge sobretudo, ao iniciar os movimentos, como por exemplo, no doente que está sentado e se levanta e surge, também, de manhã ao acordar. A rigidez da osteoartrose é de curta duração, não ultrapassando os 30 minutos. A limitação de movimentos pode surgir precocemente, ao contrário do que acontece com as deformações que, em regra, são tardias.

Exercícios e recomendações para a artrose da anca.

1. 10 minutos diários de bicicleta estática (roda livre)

2. Caminhadas em piscina aquecida (ou classes para artrose da anca – com fisioterapeuta)

3. Calor de manhã visando diminuir a rigidez articular e a dor

4. Gelo à noite visando controlar a dor e a resposta inflamatória

5. Diminuição de peso é fundamental

6. Toma de suplementos com Condroitina, Glucosamina e Omega-3 pode ajudar.

7. Uma boa flexibilidade de toda a musculatura responsável pelos movimentos da articulação conduzirá um aumento da mobilidade da mesma e possivelmente a uma diminuição das queixas.

8. Para além disso e de forma individual pode realizar os seguintes exercícios visando aumentar o conforto/estabilidade e simultâneamente a diminuição da dor.
Deitado de costas, tente encostar o joelho ao peito com ajuda das mãos e braços. Repetir 10 vezes cada membro

Deitado de costas, afastar os tornozelos e tornar a juntá-los. Pode também rodar os pés para dentro e para fora. Repetir 20 vezes.

Deitar-se simplesmente de barriga para baixo durante 10-15 minutos e elevar a perna, esticada,mantendo-a no ar durante 10 segundos.

Colocar um elástico forte ou um cinto à volta dos tornozelos para a que fiquem um pouco apertados. Tente afastá-los durante 10 segundos. Repita 10 vezes.


Fonte: Liga Portuguesa contra doenças reumáticas

terça-feira, 14 de junho de 2011

Tenossinovite de Quervain

A tenossinovite de Quervain é uma inflamação da bainha do longo abdutor e do curto extensor do polegar, no 1º compartimento radial do punho. Estes músculos são responsáveis pelo movimento de "afastar" o polegar dos restantes dedos. Sem entrar em grandes pormenores é necessário explicar que estes tendões atravessam um túnel que lhe permite "realizar força" sem que o sentido desta se altere. O consequente processo inflamatório da bainha causa a diminuição do espaço existente, comprimindo desta forma os tendões e dificultando/impossibilitando o seu deslize.

Esta situação está associada principalmente a gestos repetidos e a sobrecarga das atividades diárias das mãos e punho. Em alguns casos não há uma causa bem definida, porém pessoas que passam horas ao computador sem realizar as devidas pausas e exercicios de alongamento para mãos e punhos podem desenvolver este processo inflamatório.Todos os restantes trabalhos manuais repetitivos podem estar na origem desta tenossinovite. Os estudos indicam ainda que as mulheres a rondar os 50 anos são o grupo mais afectado. É igualmente comum o surgimento de sintomas no pós-parto. Isto deve-se a todos os cuidados prestados ao bebé e está directamente relacionado com o mau posicionamento das mãos nessas actividades.

A sintomatologia numa primeira fase surge de forma súbita caracterizando-se por dor mecânica e ardor. Essa dor pode estender-se à mão e ao cotovelo e ombro. Sinais inflamatórios como edema, rubor e calor podem também surgir nesta fase.
Numa segunda fase os principais sinais inflamatórios diminuem assim como a função daquele segmento. É também visível ligeira diminuição da força dos músculo afectados e rigidez articular com ligeira deformidade.
Na fase crónica da patologia a presença de deformidade é evidente acorrendo atrofia das várias estruturas afectadas.

O que deve fazer nesta situação:
O mais sensato nestas situações passa por iniciar a aplicação de gelo local e repouso, com o auxílio de uma ligadura funcional ou ortotese específica.
Numa fase inicial os sintomas podem ser atenuados ou até eliminados com a alteração dos gestos repetido/incorrectos. Se essa causa for abolida a sintomatologia desaparece.
Desta feita torna-se imperativo consultar o seu Fisioterapeuta ou Médico de forma célere.

A abordagem da Fisioterapia terá obrigatoriamente que ser realizada numa perspectiva global. Os tratamentos não se cingem ao punho e dedo; todo o membro superior, coluna vertebral, alterações posturais devem ser avaliados e corrigidos. Para além disso todos os comportamento/gestos desencadeantes devem ser identificados e posteriormente corrigidos/eliminados. Somente com esta abordagem global se torna possível obter resultados e perpetuá-los.


Elaborado com a colaboração da Ft. Ana Catarina Almeida

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Síndrome das Pernas Inquietas (SPI)

O que é Síndrome das Pernas Inquietas?

É uma sensação incómoda, não dolorosa, dentro das pernas que provoca uma irresistível vontade de as movimentar. Algumas pessoas descrevem-na como: “comichão nos ossos”, “alfinetadas”, “insectos caminhando pelas pernas”, “pernas querendo dançar sozinhas”, “formigueiro”, “desconforto/ardor”. Seja qual for a sensação, ela vem acompanhada por uma necessidade de mexer as pernas. Muito menos frequente mas pode surgir nos braços.
Os sintomas pioram ou só aparecem quando o indivíduo está descansando e desaparecem com movimento. Pioram à noite, especialmente ao deitar. É possível verificar movimentos dos pés dedos e pernas quando se está sentado ou deitado. Essa inquietação pode ser interpretada erroneamente como nervosismo.
Os sintomas de SPI podem causar dificuldade para adormecer e permanecer dormindo. Aproximadamente 80% das pessoas com SPI têm também movimentos periódicos dos membros durante o sono (PLMS), esses pequenos espasmos acontecem a cada 20-30 segundos durante toda a noite, causando "microdespertares" que interrompem o sono.
Devido a essa dificuldade em dormir e manter-se no sono, as pessoas sentem-se cansadas e sonolentas durante o dia, aumentando a irritabilidade, dificuldade em lidar com o stress, depressão, dificuldade de concentração e memória. Tendo em conta a necessidade de movimentar as pernas, longas viagens e actividades de lazer são quase impossíveis.

Causas e consequências

Muitas pesquisas estão sendo realizadas e as respostas são limitadas, mas já podemos afirmar que a SPI pode ter causas distintas.
A SPI surge na sequência de uma influência genética muito forte. Pesquisas já determinaram que os genes do cromossomo 12 ou 14, dependendo da família, são os responsáveis. Essa forma de SPI é conhecida como primária ou familiar.
A SPI quando resultante de outras condições, adquire a designação de SPI secundária. Durante a gravidez, 15% das mulheres desenvolvem SPI. Os sintomas desaparecem depois do parto. Anemia e baixos níveis de ferro no sangue também são associados a sintomas de SPI, assim como outras doenças crônicas (neuropatia, problemas renais). Estudos recentes apontam para a associação entre SPI e Transtornos de Hiperatividade e Déficit de Atenção (TDAH).
Se não tem história de SPI na família e os sintomas não estão associados a outras condições, então a doença é chamada idiopática (sem causa).

Embora o diagnóstico seja feito em pessoas de meia idade, muitos deles podem lembrar-se de sintomas já presentes na infância, principalmente naqueles com SPI familiar. Esses sintomas na infância podem ter sido diagnosticados como dor de crescimento ou hiperatividade, porque a criança não parava quieta na hora da aula. Crianças inquietas, hiperativas que pedem para massajar as pernas na hora de dormir podem estar manifestando a SPI.

O diagnóstico de SPI é feito através da história clínica e da descrição das sensações. Não há exames laboratoriais que confirmem o diagnóstico, mas estes podem ser feitos para afastar outras doenças do sono. Análises sanguíneas são necessárias para medir a deficiência de ferro.


Tratamento

O tratamento oferecido tem como objetivo aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pessoas com SPI, mantendo o equilíbrio entre riscos e benefícios.
Se uma deficiência de ferro for detectada, utiliza-se suplemento de ferro, vitamina B12, que pode ser suficiente para acabar com os sintomas. Como o uso de certas substâncias em quantidades inadequadas pode causar intoxicação, recomenda-se a avaliação, prescrição e acompanhamento médico para a utilização da suplementação de ferro.
Quase 25% dos pacientes com SPI têm seus sintomas originados ou agravados, pela utilização de outros medicamentos. Esses fármacos incluem inibidores do canal de cálcio (usados para tratar hipertensão e problemas cardíacos), medicamentos anti-náusea, alguns medicamentos para gripes e alergias, tranqüilizantes, fenitoína e medicamentos utilizados para tratar depressão.
O estilo de vida, certos hábitos e costumes podem piorar os sintomas de SPI. Uma boa regulação do sono deve ser seguida, pois a fadiga e sonolência tendem a piorar os sintomas. Regulação do sono significa encontrar o melhor horário para adormecer e acordar e mantê-lo todos os dias, dormindo o mesmo número de horas. Exercícios físicos moderados são recomendados até seis horas antes do horário de dormir. Para algumas pessoas, ao contrário, exercícios físicos logo antes de dormir são benéficos.
Uma dieta equilibrada pode ser importante para diminuir a gravidade da doença. Apesar da cafeína aparentemente melhorar os sintomas, ela os intensifica e os atrasa para mais tarde durante noite. A melhor solução é evitar todos os produtos com cafeína: café, chá mate, chá preto, refrigerantes, chocolate e alguns medicamentos. O consumo de bebidas alcoólicas aumenta a intensidade dos sintomas; de novo a melhor solução é evitá-las.
Certas atividades físicas como banho quente, massagens, técnicas de relaxamento, trabalhos manuais, alguma outra atividade que mantenha a mente ocupada, podem ser benéficas, mas dependem da gravidade dos sintomas de cada pessoa. Algumas pessoas não conseguem encontrar alívio com qualquer atividade e precisam de medicamentos.

Não há um medicamento aprovado especialmente para o tratamento da SPI, mas outros medicamentos aprovados para outras doenças são utilizados. São eles: agonistas dopaminérgicos, sedativos, medicações para dor e anticonvulsivantes. Cada droga tem seus benefícios, limitações e efeitos colaterais. A escolha da medicação depende da gravidade dos sintomas.
A primeira escolha para tratar SPI são os agonistas dopaminérgicos, entre eles o pramipexol. Embora esta classe de medicamentos seja utilizada para tratamento da Doença de Parkinson, a SPI não é uma forma de parkinsonismo. Todo medicamento deve ser iniciado com baixas doses e de forma lenta para minimizar os efeitos colaterais. A carbidopa/levodopa tem sido usada por mais tempo, mas recentemente descobriu-se um problema que ela pode provocar: o aumento dos sintomas. Apesar de a dose ser suficiente para propiciar uma boa noite de sono, as sensações e a urgência para mexer as pernas vai se intensificando e aparecendo mais cedo no dia (à tarde ou pela manhã). Quando isso acontece, provavelmente deve-se trocar a medicação, mas isso não pode ser feito de modo abrupto. Procure seu médico e veja com ele qual a melhor solução.

A informação é o primeiro passo contra a SPI. O melhor tratamento requer uma boa interação entre você e seu médico, para um diagnóstico correto e eficácia no alívio dos sintomas, se for possível, sem uso de medicamentos. Mas se você precisar de medicação, a escolha da droga e a dosagem devem ser bem cuidadosas. Medicamentos sozinhos ou em conjunto com outros podem funcionar bem para alguns e não para outras pessoas.
Porque não se tem um tratamento único e efetivo para a SPI, pesquisas continuam sendo realizadas e são de vital importância. Enquanto isso não for bem definido, o trabalho junto com seu médico, a procura de tratamentos não medicamentosos e a interação com grupos de suporte (como a Associação Brasileira da Síndrome das Pernas Inquietas) ainda são ajudas fundamentais para se viver bem e com qualidade apesar da SPI.


Fonte: Associação Brasileira da Síndrome das Pernas Inquietas – ABRASPI 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Como devo usar as minhas canadianas?

O senso comum nem sempre é sinónimo de verdade e o exemplo do uso das canadianas é um desses casos. Muitas duvidas surgem na altura de usarmos este auxiliar de marcha e as respostas geralmente não são as correctas. Vou falar-vos do tipo mais comum de canadianas existente no nosso país, com a tradicional pega e apoio de antebraço. 
Vamos começar exactamente pelo ajuste destes dois componentes. O apoio de antebraço deve encontrar-se logo abaixo do cotovelo ao passo que a pega encontrar-se-á ao nível do grande trocanter, osso facilmente palpável na sua "anca". (ver imagem)

Depois de ajustar a altura da canadiana passamos à sua utilização propriamente dita. Numa fase inicial, em que o paciente não pode exercer carga no membro afectado, a utilização de duas canadianas é imperativa. Desta forma avançamos os dois auxiliares de marcha em simultâneo e de seguida o membro são, e assim sucessivamente.
Quando é possível colocar alguma carga no membro afectado utilizamos igualmente dois auxiliares de marcha mas desta feita avançamos os dois em simultâneo seguidos do membro afectado e por ultimo o membro são.

Sendo possível colocar mais de 50% de carga no membro afectado passamos a utilizar somente uma canadiana. Mas em que lado a colocamos? Antes de continuar faça o seu raciocínio e tente descobrir de que lado a devemos colocar...
Ao caminharmos normalmente, sem qualquer lesão, quando avançamos o membro inferior direito o braço esquerdo acompanha esse movimento. Quando movemos o membro inferior esquerdo é o braço direito que o acompanha e avança. Imagine um soldado a marchar. Desta forma colocamos o auxiliar de marcha do lado oposto ao membro afectado, não só pelo que vos acabo de explicar mas principalmente para retirarmos carga do lado afectado quando avançamos o membro são. Caso contrário quando avançassemos o lado são toda a carga ficaria do lado afectado.

Existem ainda outras formas de utilização deste tipo de auxiliares de marcha para todo um leque de situações específicas, assim como toda uma vasta gama de produtos que o podem ajudar na sua locomoção. Deixo-vos com estas pequenas dicas que no meu entender são as principais duvidas/erros existentes na utilização deste material. 

Não deixe de questionar o seu Médico ou Fisioterapeuta antes de utilizar qualquer auxiliar de marcha


Ft. Miguel Estêvão

domingo, 27 de março de 2011

O meu médico diz que tenho ciática. O que quer dizer?

Quando alguém lhe diz que sofre de ciática significa que o seu nervo ciático sofre de um processo de compressão e/ou irritação. A dor causada por estes processos é chamada de dor ciática. Mais uma vez a dor ciática não é um diagnóstico mas sim um sintoma. As causas mais comuns são de origem lombar, nomeadamente, hérnia discal, estenose e espondilolistese. Todas estas situações, de forma mais ou menos directa, acabam por gerar compressão a nível da raiz do nervo, desencadeando toda a sintomatologia característica. 
Referi causas de origem lombar pois existem outros factores/causas que podem desencadear dor ciática mas que não têm na sua génese as alterações degenerativas da região lombar. Um desses exemplos é a contractura do piramidal/piriforme, músculo profundo da região glútea. O nervo ciático passa junto a este músculo na maioria dos casos e em 15% da população passa mesmo através deste dividindo-o em duas partes. Uma contractura do piramidal vai desencadear um processo irritativo no nervo e despoletar toda a sintomatologia. 
Alterações posturais, encurtamentos musculares e até quedas podem também desencadear este quadro.
A sintomatologia de uma compressão/irritação do nervo ciático caracteriza-se principalmente por dor localizada na região lombar e/ou região glútea, dor irradiada em parte ou na totalidade do trajecto do nervo ciático, formigueiro, dormência e perda de força no membro afectado.
O aumento da temperatura a nível das regiões lombares e glútea pode aliviar a sintomatologia assim como os dois exercicios de flexibilidade que apresento de seguida. 
De qualquer forma não deixe de consultar o seu Fisioterapeuta. 




Ft. Miguel Estêvão

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Lesões musculares. Quais são e o que posso fazer?

Toda a gente já teve ou acabará por ter uma lesão muscular. Mais ou menos grave, com maior ou menor tempo de incapacidade, as lesões musculares são muito frequentes. As causas de lesões musculares são muito variadas. Vamos por isso falar individualmente de cada um dos diferentes tipos de lesão muscular e apresentar as causas, sinais e sintomas de cada uma delas.
Assim sendo vamos falar de rotura, estiramento(distensão), cãibra e contractura.

Rotura Muscular
A rotura muscular surge geralmente na sequência de uma contracção forte (mudança bruscas de velocidade e/ou direcção, num salto ou num remate) ou de um traumatismo directo violento. A dor é intensa, localizada e muito incapacitante. Os indivíduos que contraem este tipo de lesão nuns casos descrevem o momento como uma picada/facada, noutros como se tivessem sentido um "estalo". Associado à rotura muscular poderemos encontrar edema, derrame(equimose) e espasmo muscular/aumento de tonus no músculo afectado. É possível ainda encontrar dor à palpação, ao alongamento e à contracção. O caso mais grave deste tipo de lesão é a rotura total. Nestes casos o músculo lesado perde toda a sua função.
O que deve e o que não deve fazer nas primeiras horas passa pela aplicação da terapêutica RICE e HARM explicadas no primeiro artigo desde blog.
Se tiver a certeza que está perante uma rotura muscular NÃO administre/tome qualquer tipo de anti-inflamatório. A resposta inflamatória é crucial no processo de reparação tecidular. Devemos controlar mas nunca inibir essa resposta.
Os exames complementares de diagnóstico indicados para esta lesão são ecografia e Ressonância Magnética.
Assim que possível consulte o seu  Fisioterapeuta ou Médico

Estiramento Muscular
Vamos agora abordar uma lesão também conhecida como distensão muscular. Esta lesão é em tudo idêntica à rotura muscular mas em proporções muito inferiores. Não existindo uma verdadeira disrupção no feixe muscular o que acontece na realidade são pequenas roturas a nível microscópico nas fibras musculares. Daí se assemelhar tanto nos sinais e sintomas a uma rotura muscular, porém numa escala bem distinta. A terapêutica a aplicar é  a mesma que aplicaria no caso de apresentar uma verdadeira rotura muscular.
Muitas vezes não é visível nos exames complementares de diagnóstico.
Assim que possível consulte o seu Fisioterapeuta ou Médico.

Cãibra
A cãibra é uma contracção involuntária, relativamente duradoura (vários segundos) e dolorosa de um músculo. Não sendo considerada lesão, esta situação geralmente surge no final de exercício físico extenuante e/ou em pessoas que apresentam condição física desadequada. No decorrer da actividade física o défice de oxigénio a nível muscular vai aumentando conduzindo desta forma ao surgimento de ácido lácteo. O excesso deste ácido dá origem a essas contracções involuntárias. Desidratação, baixos níveis de cálcio e de  potássio estão também na origem de muitas cãibras musculares.
Perante um episódio destes deve alongar o músculo afectado até a contracção involuntária desaparecer. Massagem com gelo e a consequente vasoconstrição provocada por este poderá auxiliar no retorno venoso e consequente remoção de ácido lácteo.

Contractura Muscular
Uma contractura corresponde a um encurtamento/bloqueio constante de fibras musculares num ponto/zona específica. Esta ocorre quando um músculo é obrigado a trabalhar acima das suas capacidades, quer a nível de força quer a nível de resistência. Um esforço intenso (excessivo) ou uma postura incorrecta mantida por um longo período de tempo estão entre as principais causas de uma contractura, assim como os traumatismos directos. À palpação é perceptível uma zona mais rija, um ponto mais doloroso no músculo.
A grande maioria das contracturas tratam-se com a aplicação de calor e realização de massagem especifica. No caso de situações mais crónicas estas técnicas poderão não ser suficientes. Por outro lado, se a causa da sua contractura residir numa alteração postural, os episódios dolorosos repetir-se-ão constantemente até alteração dessa postura. Por outro lado, quando a dor e a dificuldade de movimentos são muito intensas ou quando é necessário retomar rapidamente a actividade, como é comum nos desportistas profissionais,  pode-se recorrer à administração de analgésicos associados a relaxantes musculares. Esta medicação, que visa aliviar a dor e promover um relaxamento muscular, permite que o segmento corporal afectado recupere a sua mobilidade com maior rapidez.
Caso os sintomas persistam consulte sempre o seu Fisioterapeuta.



Ft. Miguel Estêvão

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Terapeuta! Qual a diferença entre tendão e músculo?

Carregue na imagem para melhor visualização
Muitas duvidas surgem sobre este tema. Musculo e tendão são a mesma coisa? São coisas completamente distintas? Ainda há quem junte as estes dois um terceiro conceito: ligamento. Aí sim a confusão adensa-se.
Os músculos são responsáveis pelos movimentos que o nosso corpo produz no dia-a-dia. Lavar a cara pela manhã, mastigar e até mesmo focar e acompanhar as letras deste texto que lê. 
Constituídos por tecido muscular a sua principal característica é a contractibilidade. Esta característica possibilita ao músculo diminuir o seu comprimento, aproximando assim dois pontos distintos. Vamos tomar como exemplo a flexão da articulação do cotovelo; ao "dobrar" o cotovelo o músculo bicípite encurta-se, diminuindo assim a distância entre a sua mão e o seu ombro. De forma um pouco mais específica a contracção muscular ocorre com a chegada de um impulso eléctrico, proveniente do sistema nervoso central, ao músculo. Este impulso, conduzido por um neurónio, irá desencadear um potencial de acção, (entrada de cálcio e saída de potássio da célula) produzindo assim a contracção muscular.
No entanto, para que o músculo consiga mobilizar um segmento como o antebraço necessita estar muito bem fixo ao osso. É mesmo essa a função do tendão. Este é formado essencialmente por tecido conjuntivo, sem quaisquer propriedades contrateis e a sua aparência assemelha-se a uma fita ou corda, que possibilita aos músculos inserirem-se nos ossos. Desta forma, toda a força muscular produzida resulta em movimento.
Os ligamentos são tecidos que apresentam algumas semelhanças com os tendões, são formados por tecido fibroso que circundam as articulações e estabelecem ligações entre os vários ossos. Ajudam no reforço e estabilização das articulações, permitindo movimentos somente em determinadas direcções. Como descrito, eles ajudam na estabilidade mas os principais responsáveis são os músculos. Daí a importância de ter músculos saudáveis para preservar os ligamentos e as restantes estruturas articulares.




Fisiot. Miguel Estêvão

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Terapeuta! O que é uma lombalgia?

No que concerne ao significado da palavra lombalgia o mais fácil é decompor-la em duas partes. Uma será "lombar", que como o nome indica se refere à região inferior da coluna vertebral e a outra "algia" que significa dor. Desta forma quando nos dirigimos a um profissional clínico e ele nos diz: -" O que o senhor tem é uma lombalgia", poderemos sempre retorquir: - "Muito obrigado mas isso já eu sei. Vim cá por isso mesmo, doem-me as costas."
Quero com isto dizer que o difícil de diagnosticar é a causa dessa lombalgia e é nisso que os profissionais clínicos se devem centrar. Conhecendo a causa poderemos tratar o origem da lombalgia.
Associado à grande maioria das lombalgias temos o espasmo muscular (por vezes é causa) que poderá funcionar como mecanismo de protecção, através da diminuição da mobilidade local. No entanto as causas de lombalgia podem ser variadas. Tendo no seu cerne alterações mecânicas a lombalgia surge por posturas incorrectas mantidas durante muito tempo (no trabalho), gestos repetidos, esforços exagerados, musculatura em mau estado (sedentarismo) e instabilidade vertebral. Pode ainda ter causas traumáticas ou degenerativas. No leque de causas menos frequentes temos ainda os tumores, alterações metabólicas e endócrinas e dor referida. A dor referida terá uma origem extra coluna lombar, órgãos internos por exemplo, mas que podem desencadear uma lombalgia.
Independentemente da causa e na grande generalidade das lombalgias em fase aguda com espasmo muscular associado a abordagem deve centrar-se em três pontos: -Repouso, Calor e possivelmente Relaxantes Musculares (para este ultimo ponto deverá consultar o seu médico).
É importante que consulte o seu médico ou fisioterapeuta para determinar com exactidão qual a origem da sua lombalgia. Para quem ainda não apresenta dor lombar atente na imagem que se segue e comece a proteger a sua coluna lombar.

Forma correcta para apanhar objectos do solo



Fisiot. Miguel Estêvão

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Terapeuta! Devo alongar ou não?

DEVE!
Os alongamentos (trabalho de flexibilidade) são fundamentais na manutenção de correctas amplitudes articulares, diminuição da sobrecarga articular e manutenção de comprimentos musculares adequados. Um músculo encurtado não funciona de forma adequada pelo que poderá originar lesões musculares, desalinhamento e desgaste articular. Nos dias que correm e tendo em conta o sedentarismo característico destes tempos, posturas incorrectas e encurtamentos musculares são cada vez mais frequentes. O trabalho de flexibilidade é importantíssimo na prevenção de lesões. Para além desta papel preventivo, em alta competição a flexibilidade adquire também papel crucial na potencialização das capacidades técnicas dos atletas.
Vamos tomar como exemplo o músculo quadricípete:
A forma correcta de alongar passa por atingir a amplitude máxima permitida por esse músculo. Neste exemplo o movimento solicitado é a flexão do joelho (levar o calcanhar ao rabo). Ao atingir a amplitude máxima esta deverá ser mantida durante pelo menos 60 segundos. Poderá/deverá sentir dor ligeira. Caso essa dor se torne insuportável, possivelmente a posição adoptada por si não será a correcta, podendo estar a comprometer outras estruturas.  O trabalho de flexibilidade não se realiza "em elástico"; não se balance ao realizar os alongamentos, pois estará a estimular um reflexo de contracção ao invés de alongar.
Os alongamentos devem ser realizados antes e após a actividade física. No primeiro caso deverá realizar um ligeiro aquecimento, 5 a 10 minutos de trabalho aeróbio antes de alongar. Caso não realize qualquer actividade física regular deverá ter o seu próprio programa de flexibilidade e realizá-lo 3 a 5 vezes por semana. Os benefícios deste trabalho surgem se o mesmo for realizado de forma regular durante um largo período de tempo (anos).


Fisiot. Miguel Estêvão

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Terapeuta! Torci o pé. Que devo fazer?

Antes de mais permitam-me esclarecer duas pequenas questões. Objectivamente quando se diz "torci o pé" o que realmente acontece é uma entorse da articulação tibio-társica. Por outro lado a lesão propriamente dita não é a entorse em si, pois uma entorse é o mecanismo da lesão. Podemos ter uma entorse de tibio-társica, uma torção do joelho mas isso são mecanismos. Na sequência destes mecanismos podem resultar roturas ligamentares, meniscais ou até lesões condrais, isto sim lesões.
De qualquer forma vamos assumir o entorse de tibio-társcia como lesão neste post e classificá-la.
Existem três graus: I, II e III

Grau I                                Grau II                                       Grau III
 - Estiramento ligamentar   - Rotura ligamentar parcial             - Rotura total ligaments
 - Possível edema ligeiro     - Edema considerável                     - Grande edema
 - Sem sinais de derrame    - Possível presença sinais derrame   - Derrame evidente
 - Estabilidade mantida       - Instabilidade ligeira/moderada       - Grande instabilidade

O tratamento desta lesão inicia-se logo após a ocorrência da mesma, pois muitas não são tratadas precocemente ou são mal reabilitadas e desenvolvem problemas/queixas crónicos. A instabilidade é também um problema resultante de entorses de tibio-társica mal recuperados e que pode conduzir a nova lesão.
A abordagem inicial (fase aguda) a este tipo de lesão resume-se a 4 letras: 
RICE -  Rest, Ice, Compression, Elevation. 
A primeira é simples e corresponde a Descanso; em relação ao Gelo deve ser colocado a cada duas horas por um período de 20 minutos; A Compressão deverá ser realizada por uma ligadura funcional (a realizar pelo seu Fisioterapeuta) ou caso não seja possível ir a uma consulta de Fisioterapia poderá utilizar um pé elástico à venda nas farmácias (menos eficaz); por fim a Elevação, mantendo o pé elevado e apoiado.
Como referi anteriormente deve consultar o seu Fisioterapeuta de imediato e iniciar tratamentos. A terapêutica RICE será aplicada entre tratamentos, em sua casa. Os tratamentos terão como objectivos a diminuição de edema, repor amplitudes articular, potenciar/acelerar processo cicatrização tecidular, prevenir/eliminar a formação de aderências/fibroses, realização de trabalho proprioceptivo e estimular/fortalecer a musculatura envolvente.
O que não deve realizar na fase aguda da sua lesão:
HARM - Heat, Alcool, Running, Massage


Fisiot. Miguel Estêvão

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Terapeuta! Faço Gelo ou Calor?

Esta é uma excelente questão e já me foi colocada dezenas de vezes.
Antes de se optar por uma destas medidas terapêuticas é fundamental identificar o tipo de lesão. Sem me alongar muito quanto aos vários tipos de lesão existentes (talvez num próximo post) vamos centrar-nos nas lesões traumáticas. Na sequência deste tipo de lesões, geralmente, decorre um processo inflamatório caracterizado por 4 sinais específicos: Edema, calor, rubor e dor. Nesta situação o gelo deverá ser aplicado o mais cedo possível, visando a diminuição da temperatura, do aporte sanguíneo, provocando vaso-constrição e  algum efeito analgésico. O gelo será aplicado com uma pressão adicional (uso de ligadura) e por um período de 20 minutos, nunca superior. Este processo deverá ser repetido a cada duas horas e nunca com um intervalo de tempo inferior. A aplicação de gelo ocorre na fase aguda (primeiros 3 a 5 dias) de lesões traumáticas, no entanto, poderá ser utilizado em lesões crónicas após exercício, controlando assim possível edema residual.
Existem algumas alternativas na aplicação de gelo como é o caso do banho de imersão ou a aplicação de gelo dinâmico.

Os principais efeitos da aplicação de calor prendem-se com o relaxamento dos tecidos, aumento da elasticidade dos mesmos, aumento do aporte sanguíneo e da temperatura. Mediante isto esta abordagem deverá ter lugar em situações crónicas, de aumento de rigidez muscular (contractura) e articular.
Este técnica deve ser aplicada por períodos de 15 a 20 minutos. Existem no mercado umas almofadas de gel para este efeito mas também se poderá utilizar o tradicional saco de agua quente.

Em ambos os casos atenção para as pessoas com alterações de sensibilidade superficial. Tanto o gelo como o calor podem provocar queimaduras graves. A utilização de toalhas é indicada, evitando assim o contacto directo com a pele.



Fisiot. Miguel Estêvão